quarta-feira, 2 de março de 2011

nada

perdi um sonho, mas nada tinha nas mãos...

quando se perdeu disse adeus a um lugar conhecido,

entrei noutro que não conheço, onde se fazem perguntas retóricas.

no sonho não há perguntas nem respostas

ou apenas uma:.não, nada tenho nas mãos.


perco o sono, troveja sem altos e baixos

ligo os dedos em consolos

não chove, mas o chão está alagado e evapora.


quinta-feira, 1 de julho de 2010

árvores

Enfim...
Num lugar alto repousa um suspeito labirinto, sem brumas, escondidas por raios luzentes, sem água expostos ao vento, que os leva a tudo o que já não será.
Enfim,
Repousar no canto dos pássaros, de árvore em árvore estendo a minha rede e abraço o rebento de mim, agora, neste dia em fim.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

menina do mar

a menina do mar me encanta
sobre a saudade me canta
canta na noite tardia
a dança que acabou cedo
mas seu canto acaba de dia

e voltamos a meio da tarde
para confirmar a saudade
balança nas ondas do mar
do mar da menina d'amar
e volta com cada maré

escorre nos sulcos da areia
e em cada louca lua cheia
de água se faz ar

roda na terra de eixo a eixo
porque um dia vai encontrar
um princípio de água para amar

disse-me a menina do mar...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

música de água

fico tão aliviada com estas aparições...
se assim não fosse isto era apenas um tédio (ver primeiro post)...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

as ilhas

cheguei a uma ilha deserta
toda coberta de fumo
vi um largo, vi um lago
vi-te a ti do outro lado
mudei de largo para prado
uma ponte abriu-se ao meio
a água demora a circundar
passo eu ou passas tu?
a meio, grito! a meio, fui...
mas é um lago, e agora?
o melhor é mergulhar...
uma boleia de golfinho
já num rio a correr
suave até ao mar
cheguei a uma ilha encantada
coberta toda de flores
vi um largo, vi um lago,
vi-te a ti mesmo ao meu lado
e aí vivi de amor, e amor, e amor...
(e protector solar)

para quem quer uma morna

para quem quer uma morna
eu canto um fado a sambar
vem com teus cabelos de sol
vem com teus braços de mar
vem, vem-me tirar do inverno
vem para o meu corpo acalmar

sem contar do meu inverno
sonho em versos tropicais
sei que também gostas do escuro
que o nosso amor é lunar
mas o meu corpo estremece
nesta longa noite gelada
por uma paixão molhada
suada porque não esquece
a chuva quente na estrada
onde a história ficou guardada

para quem quer uma morna
eu canto um fado a sambar
vem com teus cabelos de sol
vem com teus braços de mar
vem, vem-me tirar do inverno
vem para o meu corpo acalmar

sono

vejo revejo e sempre vejo o mesmo espanto
sempre que acordo regresso
sempre ao mesmo e forte espanto
fico meia ressentida, sem lugar e sem porquês
espero a resposta da vida, mas não vou querer saber
quantas noites vão passar, sem ver, ser ter, sem esquecer
prefiro por isso viver, viver sem lugar nenhum
viver sem sítio qualquer
em respostas mais pagã, em perguntas, mais fatal
de encontros, um portal
e vivo como uma fada, rolando nos dedos o tempo
trocando o fio à meada aos ritmos do pensamento
correndo desgarrada e esperando acostumada
pelo próximo lamento
que sempre chega de madrugada
e espanta o meu sono sedento.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

(a)Meditango

Flores de cidade, suadas
de cristais salgados, frescas
de quem passou, esquecida
pela madrugada lenta e misteriosa.
Corridas, como escorridos os dedos
contidas, num mistério que vai
vai pela noite suada
que tem do mistério carinho.
É por apreço, é por amor que vai
ao passado de um misterioso futuro
no fundo de uma rua molhada
a luz azul da passagem
para a rua das flores suadas
frescas, húmidas, misteriosas.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Mus@

Espero a tua visita com a garganta contraída em dúvidas que se revoltam, em viagens suspiradas do peito à testa.
Espero-te, morta de cansaço, como um moribundo espera pela morte e a deseja e a teme, como todos nós em cada dia, trememos, e escutamos o silêncio espacial de onde pode vir a razão, o sentido, mas maior, o amor a a paixão quando se concretiza, numa frase de intenções supremas, num lenço bordado, um poema, na fórmula esperada.
No teu voo conjunto e abraço completo cheguei um dia a esse lugar, e sempre que o deixo por crer que não existe, tu persegues-me, e persegues, e eu permaneço à espera, fazendo o meu pouco papel de permanecer.
Grito, então encontra o teu caminho! O meu tempo tem decisão, mas pesa-me na testa sempre que o pressinto demarcado, sempre que me afasto deste lugar expectante, onde de vez em quando apareces dourad@.
E quando a frase chega ao fim, e percebo que um universo se criou, quero gritar que fico para sempre, que serei um eterno colo, que te espero a saber que é esse o meu desconcertado conforto. Revejo-te, recordo, inspiro e o fim da frase termina.

segunda-feira, 23 de março de 2009

pintar as unhas

Pinto as unhas das mãos de vermelho
rosa melancólica apaixonada de carmim vivo e duro
para ouvir lila downs sem mescal
com chá preto em tardes nubladas
Detenho-me no polegar direito
e procuro uma tesoura de pontas finas.
Arrependo-me porque borro o carmim
porque a lila partiu para paisagens insulares
e deixou-me só portuguesa, aqui em voos de pássaro.
Desencantados chilreiam, quase demais...
antigas melodias boas, tão boas...
quase um fado escorrido ou uma curta ranchera radical
dois longos boleros repetidos
e bossas eternas onde aterro de pé descalço
de teimosa, e pinto as unhas dos pés
de um rosa brilhante que me surpreende.

guerrilha no feminino

em minha paz

sem que a falta dela me pese
sem que o seu som em nada me roube
sem que a queira de volta
nem que navegue em ti e nem te toque
nem que te pareça só um detalhe a esquecer
e se eu assim te der a palavra?


muda, e quando a olho, vê-se
fica pela palavra recebida e dada
trocada? não, são somatórios...
nem que essa por ti navegue sem te roçar
porque sim ou porque não, é tua!
aceitas a minha paz?
é que a guerra não me encontra mais.

domingo, 15 de março de 2009

problema de limpeza

há uns quantos cantos empoeirados
perenes, densos, pardos
loucos de escuridão
há uns quantos quartos fechados
outros abertos, mas todos
sem lados, sem tectos, sem chão
só se limpam com vassouras de bruxa
que se encomendam por e-mail
ou se calhar talvez não?

quinta-feira, 12 de março de 2009

instinto1

a fatalidade surpreende-me sempre mais que o desejo
a angustia não me surpreende, mas deseja demais, e cansa.
trabalha na tarefa de unir universos opostos, que continuamente se excluem,
mas existem , mesmo se frente a frente
e são assim por manhas de instintos leves e curtos
transformam rotas em instante e instantes em rotas
e o instinto é o tapete voador
do deserto para o oásis
é o voo de cada e outra manhã.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

suavemente estacionado do lado esquerdo da aorta

Quando entrei por ali adentro, depois de me ter dado a desculpa cafeínica.
Pensava entrelinhada, que era tarde demais para beber um café, depois não dormia...
também não dormi.
mas entendi o que tanto me puxava para o descafeinado.
Previa, nas bordas do consciente, que o meu coração entraria em fast beat. Cafeína dispensada na redundância.
pumpum pumpum pumpum pumpum
um dia, dois dias, três dias, quatro dias
e por fim, lá estacionas suavemente pela esquerda, na esquina da aorta.
só não sei se com ou sem parquímetro?..................faz toda a diferença.
tenho um tradutor completamente pírulas
digitei fast beat
traduziu por: jejua a batida!
(já não é um tradutor, ganhou a posição de musa electrónica)
sem cafeína e à míngua
medita, medita
inspira, inspira.


só para tirar teimas fui ao tradutor do google, and you know what? Só traduz uma de cada vez, as duas palavras juntas são too fast for his beat. Boa, não?!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

my baby just cares for me... ou um dia cinza de trabalho


-"como é possivel trabalhar com este tempo cinza tramado? nem um raio de luz alegre!"
(o dia todo a casa silenciosa e limpa)
- "não há outro remédio"
Nina nos ouvidos
e dois portáteis
o meu é branco
o teu é preto
e lá estamos nós de volta ao cinza outra vez...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Dormir de pé

Sem saber nada de ti, apenas que são já horas de entrar em palco,
onde espero aplausos em canon.
A plateia está iluminada, vêem-se os rostos do primeiro ao último,
nítidos e conformados, e aí ataco num monólogo confiante.
Mas nem sempre se sincroniza o que digo com a dança que me sai dos lábios
e surpreendo-me, mas eles não, e acenam cabeças verticalmente.
Paro com isto, e fecho os olhos.
Esqueço-me de tudo e todos.
E quando volto a mim, metade da sala se foi.
Alguns continuam a abandonar a plateia,
apagam-se da imagem sem se mexerem.
Dou-me conta que respiro lentamente e o som é apenas esse.
Um a um todos se vão e sinto que não preciso mais respirar tão forte.
Fico como que a dormir do palco para a sala,
as pernas desfazem-se e rendo-me finalmente a um sono solto.

Quero-te

Quero caminhar pela tua estrada
que sejam duas por pura coincidência de traçados.
Que acrescentem paisagens repetidas,
sobrepostas, sobressaltam os perfis.
Cores nítidas e fartas nos mesmos miradouros.
360 graus de visão disponível.
E é essa a minha dor,
querer voltar ao café do costume
depois de acordar pelas mesmas mãos
quase as minhas...
Desfazem a noite pela pele,
despertam dias e não apenas um
solto, só,
um ponto de eco
a meio da mesma subida.
Quero ficar só mais um pouco!
mais um pouco?
um pouco mais contigo!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

lua aparelhada

Saio para a rua com esperanças no acaso
irónico ou insólito, seguramente
mas duvido da dúvida entre os passos
perco a vontade pelo caminho
apetece-me desistir, mas só adio
entre o sono e a tarde, e volto a sair
sempre que a lua se aparelha
e mesmo quando não e apenas a urgência me guia
também acontece, por vezes
e numas quantas dessas estranhas urgências
quando calha caírem em luas aparelhadas
dou sempre comigo de caras e como me surpreende o reflexo
da última vez foi um segundo e fui logo a correr para a toca
que bicho me sinto, estou em desvantagem
hiberno, como mel, empanturro-me,calo-me, lambo-me
lavada e pronta, saio
mas ainda estava inverno e tinha-me esquecido disso entretanto
dou corda às estações e esqueço-me que hibernar
é coisa de ursos e monges
e a ironia termina caindo no meu colo de bicho aluado

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

viagem à parte de mim que te corresponde

entro num quarto iluminado a partir do chão,
em cada pisada a luz apaga-se
e por baixo de cada pé, dois pontos
alternados
então penduro-me
encontro um baloiço previdente
e penduro-me
fico ali só a sentir
os cabelos na cara
e como são macios
o chão, agora sem excepção iluminado
transformou-se em céu
e se não fosse pelos cabelos
pensaria estar de pé
foi aí que te vi
mas estavas tão pouco nítido
(e eu tão encarnada)

pragmatic love

if the love i feel is so...
so i have to feel even so
is by your love
i feel
becouse in my one true love
so i feel
so i go
so be...

you go WOMAN!!

domingo, 18 de janeiro de 2009

distância e despedida


Naquela distância entre os teus olhos e o meu sorriso, os meus ficaram suspensos, sem rumo.
Perdi-me num vazio quase perfeito, tive que me desviar, para não ver que era a hora de te largar...
Mas a tua imaterialidade suspensa torna encontrar-te uma viagem sem mapa.
Não sei onde estás, por isso não me posso despedir de ti.
Já parti sem despedidas outras vezes, nem uma gota de suor me custa,
no entanto não gosto do facto, deixa-me impaciente, impotente.
Estranha esta forma de viver contigo, em breves, as que escapam por entre as folgas do ego. Parecem-me poucas as que vencem a distância entre os meus olhos e o teu sorriso. Não prometo não olhar, as folgas no meu ego ficaram lânguidas na suspensão, e completamente encharcadas.

Não sou sueca


Mas estou bastante tranquila
em relação ao facto de existires neste mundo
Até podemos tomar um café nessa tranquilidade…
E ver o pôr do sol e essas coisas belas sem sobressaltos.
E olhar olhos nos olhos sem que se produza um tsunami,
E tocar-te amistosamente no ombro sem desfalecimentos patéticos.
E sentir o teu calor sem me gelarem os tímpanos.
Ouvir a tua voz sem campainhas estridentes
E sorrir para ti sem que me tremam as mãos
E perceber que respiras o mesmo ar que eu, sem sentir isso, assim mesmo, em cada inspiração.
Só que não gosto, percebes?
Assim não tem piada nenhuma.
Sabe a morangos, fora de época
Já não volto ao Bergman, já fui sueca, ele também.

um dia de uma concha

O amor e as conchas, têm dupla face.
Uma é lisa, outra rugosa.
Até que o mar alise as rugas da praia,
Espero…
Ficam as conchas descobertas, rugosas e lisas.
Uma deve ter brilhado mais, reflectiu,
porque acabou no meu bolso e daí voou para longe.

Encostei-a contra o meu peito, sussurrei-lhe um segredo fundo para a parte lisa, chorei nas rugas, e despedi-me dela como de um filho que vai para a guerra.
Queria ser uma pérola, para caber dentro dela, e não ter que me despedir nunca mais.

Depois lembro-me do bicho que aí vivia, e morreu, deu a vida para que eu pudesse guarda-la no meu bolso, e assistir à sua partida, com o peito dorido, da marca da concha que viveu aí, enquanto eu esperava.
Foi muito tempo, tanto que a concha mudou de cor, era branca, ficou verde, e isso arrancou-me um sorriso soluçado.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Dos pés para a boca



foi a calma...
Invadiu-me, não sei viver com ela.
Era uma vez uma menina cheia de tédio.
E com uma ferida no céu da boca.
Tens olhado para cima?
(será que o céu é o céu da boca de um ser muito grande)
Tenho a confiança esfolada, como o céu da boca.
Não sei o que digo, não tenho palavras, ranjo só os dentes,
pressiono a língua contra eles, fecho os lábios, selados,
doem-me os músculos da cara, o resto está em calma.
Menos os pés, torcem-se em lamentos, acompanham
Não se despedem da boca.
Todos os outros poderiam, mas não os pés.
Para chegar com o meu beijo à tua boca, os meus pés têm que dançar.
Tinha que me esquecer dela por um segundo, estava uma nuvem a insistir,
Mas o teu sorriso foi tão brilhante, acendeste o sol e eu levitei,
dos pés para a boca, em meio segundo bem contado.